Crítica

As Aventuras de Pi

As Aventuras de Pi

Acredite no extraordinário é uma definição bastante fiel ao que vemos neste longa.

Primeiro gostaria de salientar que Ang Lee sabe muito bem contar uma história e segundo tem uma maneira ímpar e peculiar de nos conduzir para dentro desta história.

O Hulk, com Eric Bana mostrou ser uma sagaz demonstração psicológica da tragédia grega que é a vida de Bruce Banner. Sendo uma perfeita tradução das páginas de uma HQ para a telona.

E então tivemos O Tigre e o Dragão com cenas de luta de tirar o fôlego. Algumas pessoas estranharam os lutadores subirem por muros altíssimos ou praticamente poderem voar cada vez que saltavam, mas pra mim aquilo não era nenhuma novidade.

Eu já estava acostumado a ver O Templo de Shaolin, Bruce Lee (que aliás eu gosto demais) e outros filmes de artes marciais, principalmente, do Jet Li que interpretava Wong Fei-hung em mirabolantes cenas de luta.

Bom, desta vez o enredo começa na Índia um país com  belas tradições religiosas repletos de deuses tipo Shiva, Brahma, Ganesh, Mahadevi e Vishnu (alguém aí se lembrou de Shurato?), pois as principais e tradicionais divindades antigas deste país também aparecem neste antigo anime.

Acho que eu como todo mundo  ao saber de Pi (3.14) pensou na letra grega que têm um valor imenso em matemática, mas este nome significativo e inusitado é relativo a Piscine Molitor Patel uma piscina de verdade na França e isto é muito surreal.

O nome original do filme é Life of Pi e aqui no Brasil ficou como As Aventuras de Pi logo qualquer pessoa pensaria em se tratar de um longa de aventura infantil, mas na verdade não é nada disso.

Desta vez temos um Piscine adulto contando a história de sua vida para um escritor sem inspiração. E quem não gosta de ouvir uma boa história?

Somos introduzidos a vida familiar de Piscine Patel desde seu nascimento, sua ida a escola aonde ganhou o apelido chatíssimo e sua busca por Deus em diferentes tipos de religião.

Esse aspecto do personagem me pareceu uma crítica para as pessoas que acham que só a sua religião é a verdadeira.

Vendo por este prisma mostrado no filme todas são um caminho para chegarmos até Deus basta estar em paz consigo mesmo.

Vemos o aspecto emocional de Pi após o naufrágio quando fica sozinho á deriva com a zebra, uma hiena, o orangotango e um tigre de bengala. E por mais estranho que possa parecer o tigre chama-se Richard Parker.

Infelizmente é nestes animais que Pi expõe seus sentimentos enraizados quanto a sua família perdida de maneira trágica e isto soa tão profundamente dentro de nós que me surpreendeu.

A parte mais interessante em As Aventuras foi que aqueles animais não estavam ali de verdade. Eles fazem parte da imaginação de Patel, mas a forma gradual em que Pi e Richard Parker tinham que conviver perdidos em alto mar foi memorável.

A interpretação de Suraj Sharma é tão magnífica, pois tudo que vemos na tela não existe. Então podemos notar o trabalho árduo que deu em contracenar mostrando coisas que não estavam lá.

As Aventuras de Pi não é apenas um filme emocionante, pois vai além recheado com cenas belíssimas parecendo quadros de arte ou simplesmente demonstrando poesia em movimento.

São imagens que para captar por palavras não conseguiria encontrar similar que fosse digno da grandiosidade exibida na tela.  Algo que toca no âmago de nossa alma marcando-a indefinidamente para sempre.

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