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Sai de Baixo

Foi um sitcom criado por Luís Gustavo e Daniel Filho que foi ao ar nas noites de domingo pela Rede Globo entre 1996 e 2002. Seus episódios eram escritos por Miguel Falabella, Rosana Hermann, Maria Carmem Barbosa e Euclydes Marinho entre outros roteiristas.

Sai de Baixo era gravado ao vivo no Teatro Procópio Ferreira em São Paulo transformando-se num enorme sucesso de audiência e também de crítica.

É um programa que deixou saudades ao apresentar um elenco que realmente era engraçado. Suas histórias giravam em torno de uma família que morava no Largo do Arouche (como estavam no sufoco a solução era ficar todo mundo junto no mesmo apartamento).

A melhor parte de assistir Sai de Baixo era que os atores improvisavam suas falas, porque  na maioria das vezes esqueciam alguma parte do texto e como tinham que gravar ao vivo davam um “jeitinho” pra continuar seguindo o programa.

E mesmo sendo gravado “ao vivo” havia edição de cenas indo ao ar somente as melhores (então os erros que ficavam bons apareciam no final). Algo que lembra bastante os filmes de ação de Jackie Chan, pois no final geralmente eram mostrados seus erros nas lutas.

O que eu mais gostava é que eles mesmos não aguentavam as situações e ficavam rindo diante da plateia (parecendo mesmo que se divertiam com aquilo tudo).

O maior coitado deste programa era Vavá (Luís Gustavo) o síndico do prédio do Largo do Arouche. Ele sempre tinha ideias para  algum tipo de negócio, mas por mais que se esforçasse estava fadado ao fracasso.

Sua intenção era ganhar dinheiro para poder sustentar a família de sua irmã Cassandra e poder se ver livre daquele bando de imprestáveis (seu bordão era: “Aqui Farroupilha!”).

Vavá era um grande empreendedor mais não dava sorte pro negócios, pois ia sempre a falência. O fato é que criou diversas empresas usando seu nome como referência: Vavatur, Vavatrabalhar, Lavavá Melhor, Vavasebabar, Vavagilantes entre ouros nomes totalmente esquisitos mais que chamavam atenção pela capacidade de inventar tais palavras.

Sua irmã Cassandra (Aracy Balabanian, a eterna Dona Armênia) era uma socialite decadente que não aceitava de maneira alguma que seus dias de ostentação haviam ido embora. Isto aconteceu depois que seu marido o brigadeiro da Aeronáutica morreu.

Ela sofria com as piadas de Miguel Falabella quando implicava com sua carreira, seu cabelo (chamando-a de “cabeção”) ou também com seu figurino. Eu gostava quando era chamada de “cascacu” (uma mistura de cascavel com surucucu). Eram tantas situações que Aracy não se continha, ficava toda sem graça e caia na gargalhada.

Caco Antibes (Miguel Falabella) era metido a rico e também um perfeito vagabundo, pois não gostava de trabalhar. Pra mim tinha uma personalidade petulante até demais quando afirmava que “tinha horror a pobres”, mas mesmo assim o carisma de Miguel deu o merecido sucesso ao personagem.

Caco não valia o chão aonde pisava e sempre queria dar um golpe pra ganhar alguma grana fácil de qualquer maneira. Tinha vários bordões memoráveis: “eu odeio cajuzinho”, “Cala boca Magda!”, ou ainda se descrevia como um príncipe dinamarquês, descendente da “Baronesa Vah sy Fuder”, fazendo diversas referências ao país (mais na verdade nasceu na Ilha do Governador o mesmo lugar que seu interprete).

Já Magda era filha de Cassandra interpretada pela atriz Marisa Orth. Entrava em cena com suas belas coxas de fora sempre chamando atenção da galera masculina que assistia ao programa. O sucesso da personagem rendeu-lhe uma edição da Playboy, em 1997.

Magda era uma mulher completamente burra feito uma porta (e de comportamento fútil). Vivia num mundo quase só seu envolta em sua completa ignorância e tinha um amor cego pelo seu marido.

Nunca dizia algo que prestasse e suas frases eram totalmente misturadas como: “ me inclua fora dessa”, “eu vou tomar uma atitude gástrica”, “só me resta prometer suicídio”, “todos os animais são seres romanos”  entre outras várias pérolas.

Depois destas palavras impressionantes que eu achava muito inteligente pela mistura que fazia entre os ditados populares e outras frases quando  Caco dizia: “Cala boca Magda!” (eu caia na gargalhada).

Pra completar ainda tínhamos o núcleo assalariado do prédio  com o porteiro mulherengo Ribamar (Tom Cavalcante) e  a empregada Edileuza (Cláudia Jimenez) que sempre estava ajudando Vavá numa maneira de mandar a família de Caco embora.

Pra começar a história de Ribamar era bem esquisita, pois sofreu grave acidente de bicicleta ficando mais de uma semana de coma.

Então um médico alemão decidiu colocar uma placa de platina em sua cabeça, mas pro seu azar e nossa felicidade a placa é energizada. Como consequência a placa capta ondas de rádio, televisão e telefone fazendo com que ele utilize vozes de locutores, atores e propagandas.

Na verdade Ribamar se aproveitava de seu patrão Vavá para poder se dar bem e era um prato cheio para Tom mostrar suas habilidades de comediante. Tom Cavalcanti imortalizou o João Canabrava personagem que criou misturando suas imitações de várias personalidades com locutor esportivo (Escolinha do Professor Raimundo).

E sua saída da Rede Globo foi por que queria um programa só para ele brilhar, pois talento demonstrou que tinha de sobra (como em Megatom).

Enquanto Edileuza era folgada, debochada e envolvente até demais, pois Cláudia já era uma conhecida nossas desde que fez a impagável e carismática Dona Cacilda também da Escolinha do Professor Raimundo.

A empregada era perseguida pela Cassandra que se achava tão patroa dela quanto Vavá, mas sua irreverência quanto ao fato da falar o que lhe dava na cabeça era hilário (por isso vivia batendo de frente com seus patrões).

Era justamente a dupla que formava com Tom uma das coisas que mais me chamavam atenção na atração. Havia uma química em cena entre os dois (ainda mais quando Ribamar tentava provar seu amor por Edileuza).

A saída de Tom Cavalcanti e Cláudia Jimenez fez o programa perder boa parte da graça que havia pra mim. Claro que a direção resolveu substituí-lo e o programa não perdeu sua audiência, porém ficou diferente.

E Tom foi substituído pelo ator Luíz Carlos Tourinho que fez Ataíde um tremendo puxa-saco de seu patrão. Mesmo Ataíde sendo  engraçado não tinha o carisma que Tom Cavalcante mostrava em cena.

Quando Cláudia saiu houve uma dança de atrizes para interpretar a emprega de Vavá. E quem entrou primeiro foi Ilana Kaplan (Lucinete) que demonstrou  ser muito fraca na composição de seus personagens, pois não havia nenhuma diferença entre eles.

Ilana interpretou a doidinha da Professora Matilde que ensinava música em Carrossel. Ela era adepta da educação rígida que a Diretora Olívia (Noemi Gerbeli) queria administrar na Escola Mundial. Ficava algum tempo fora da escola para depois voltar mostrando personalidades diversas através das viagens que fez pelo mundo (Índia e África).

A entrada de Márcia Cabrita como a desastrada da Neide Aparecida foi bem melhor que a empregada anterior, pois aparecia em cena dando uma reboladinha igual a Gretchen pra delírio da plateia. Era o seu bom humor aliado a sua língua afiada com resposta pra tudo que me conquistou.

O programa deixou saudades ao eternizar na mente coletiva do povo brasileiro o “canguru perneta”  uma posição sexual  muito prazerosa que Magda e Caco usavam quando estavam com tesão.

Dez anos depois o canal Viva (canal fechado de TV da Rede Globo) retornou com Sai de Baixo, mas infelizmente os atores Tom Cavalcante Claudia Gimenez não sei por qual motivo ficaram de fora  das gravações. Este retorno seria bem mais interessante se eles tivessem participado das comemorações, pois fazem parte da história televisiva de milhões de pessoas.

Sai de Baixo era um conjunto de situações  em que os atores se sobressaíram por manter um bom nível de piadas. Suas histórias ás vezes absurdas ou em forma de críticas sociais tiravam um sarro da própria imagem da família brasileira.

 

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