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Heróis Nipônicos

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Astroboy

Criado pelo lendário Ozamu Tezuka o herói surgiu primeiro na revista Shonen Magazine sendo produzido de 1952 a 1968 (seu nome original é Tetsuwan Atom).

O trabalho de Osamu Tezuka foi inspirado por Walt Disney, pois fundou seu próprio estúdio a Mushi Productions (lançando o anime a partir de 1963).

Na história o Dr. Tenma é chefe do Ministério da Ciência que perdeu seu filho Tobio num acidente automobilístico.

Devido a sua perda decidiu criar um robô a imagem e semelhança de Tobio tratando-o como se fosse o menino verdadeiro. Infelizmente Tenma descobriu que o androide nunca cresceria para ser um adulto e não substituiria sua trágica perda.

Então rejeitando Astro vendeu a Hamegg, um dono de circo (aonde a atração principal são as lutas de robôs). Algum tempo depois, o Professor Ochanomizu, que por um acaso era o novo chefe do ministério da ciência, presenciou uma apresentação de Astro no circo (convencendo Hamegg a entrega-lo pra ele).

Deste momento em diante o professor tratou Astro de maneira gentil e tornou-se seu tutor legal. Até que percebeu que Astro tinha poderes incríveis e a capacidade de expressar emoções.

No anime Astro combate crimes, a injustiça e seus inimigos são geralmente Ets invasores ou robôs que odeiam humanos.

Tetsuwan Atom foi a primeira série animada exibida na Terra do Sol Nascente  tornando-se uma referência pra todos que vieram depois (influenciando o formato dos animes como conhecemos).

Aqui nós nunca vimos o anime original, mas também criado por Ozamu Tezuka tivemos seu similar (ou genérico) O Menino Biônico exibido nos inicio dos anos 1980.

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Astro Boy – O Filme – 2009

A cidade em que a história acontece é Metro City (que lembra a mesma de Megamente). O Professor Tenma (Nicolas Cage) é o maior cientista do mundo e trabalhando no Ministério da Ciência transformou a sociedade com o uso de robôs (infelizmente ele dá pouca atenção pro seu filho).

Metro City é uma cidade linda e flutuante, mas os robôs quando descartados são jogados na Terra. A melhor lição de Astro Boy foi que nós temos de aprender a viver em harmonia com o meio ambiente, pois a Terra virou um enorme depósito de sucata.

O Dr. Elefun (Bill Nighy) fez uma grande descoberta científica foi a energia azul, que categoricamente é boa, mas em contrapartida também temos a energia vermelha (que é ruim). Devemos lembrar que trata-se de animação infantil, mas analisando ambas evidenciam as personalidades do Doutor Elefun (azul) e do Presidente Stone (Donald Sutherland) que deseja utilizar a energia vermelha para fins bélicos (a fim de se reeleger).

Quando Tenma faz a demonstração do novo robô militar, a experiência fracassa causando uma grande confusão, seu filho Toby (Freddie Highmore) que estava assistindo escondido acaba morrendo.

Devido ao trauma o Dr. pega uma amostra de DNA numa busca obsessiva pela sua perda e pede a sua equipe que faça uma cópia robótica do seu filho. Astro Boy surge com o que há de melhor nas características humanas, mas há uma diferença enorme de personalidade.

Quando Toby era uma criança normal demonstrava uma inteligência fora do comum e sua versão robótica queria apenas se comportar como uma criança comum.

A rejeição do próprio pai causa uma grande confusão na cabeça do Toby que decide abandonar Metro City após ser caçado pelo Presidente Stone. Caindo nas mãos do Dr. Ham Egg de um ex-cientista que trabalhava pro seu pai (que conserta robôs para usá-los numa arena de luta).

Notei quando as crianças pintam o robô ZOG ouvimos a música Alright, dos anos 90 (dançante, mas chatinha pra caramba). E a parte engraçada são os robôs da Revolução (que são um bando de sucatas bastante atrapalhados).

Apesar de ter sido concebido como uma animação para crianças Astro Boy ensina muito mais do que diverte, pois quando o herói desce pra Terra.

Mesmo vivendo entre crianças sem pai Astro aprende lições entre o certo e errado. há momentos em que vemos noções de amizade, família, aceitação, companheirismo e também que nem tudo no mundo é bom.

O grande ápice está no momento em que o Presidente Stone utiliza a energia vermelha no Pacificador sendo engolido pelo mesmo que adapta tudo em que toca.

Astro volta para salvar a cidade e usa uma frase clássica do Superman: “para o alto e avante” mostrando que nasceu para ser um herói.

Astro Boy é uma daquelas aventuras bem ao estilo japonês aonde as características humanas são demonstradas pelos robôs, mas nos deixa maravilhados justamente pela sutileza em que demonstra este detalhe.

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Crítica

As Aventuras de Pi

As Aventuras de Pi

Acredite no extraordinário é uma definição bastante fiel ao que vemos neste longa.

Primeiro gostaria de salientar que Ang Lee sabe muito bem contar uma história e segundo tem uma maneira ímpar e peculiar de nos conduzir para dentro desta história.

O Hulk, com Eric Bana mostrou ser uma sagaz demonstração psicológica da tragédia grega que é a vida de Bruce Banner. Sendo uma perfeita tradução das páginas de uma HQ para a telona.

E então tivemos O Tigre e o Dragão com cenas de luta de tirar o fôlego. Algumas pessoas estranharam os lutadores subirem por muros altíssimos ou praticamente poderem voar cada vez que saltavam, mas pra mim aquilo não era nenhuma novidade.

Eu já estava acostumado a ver O Templo de Shaolin, Bruce Lee (que aliás eu gosto demais) e outros filmes de artes marciais, principalmente, do Jet Li que interpretava Wong Fei-hung em mirabolantes cenas de luta.

Bom, desta vez o enredo começa na Índia um país com  belas tradições religiosas repletos de deuses tipo Shiva, Brahma, Ganesh, Mahadevi e Vishnu (alguém aí se lembrou de Shurato?), pois as principais e tradicionais divindades antigas deste país também aparecem neste antigo anime.

Acho que eu como todo mundo  ao saber de Pi (3.14) pensou na letra grega que têm um valor imenso em matemática, mas este nome significativo e inusitado é relativo a Piscine Molitor Patel uma piscina de verdade na França e isto é muito surreal.

O nome original do filme é Life of Pi e aqui no Brasil ficou como As Aventuras de Pi logo qualquer pessoa pensaria em se tratar de um longa de aventura infantil, mas na verdade não é nada disso.

Desta vez temos um Piscine adulto contando a história de sua vida para um escritor sem inspiração. E quem não gosta de ouvir uma boa história?

Somos introduzidos a vida familiar de Piscine Patel desde seu nascimento, sua ida a escola aonde ganhou o apelido chatíssimo e sua busca por Deus em diferentes tipos de religião.

Esse aspecto do personagem me pareceu uma crítica para as pessoas que acham que só a sua religião é a verdadeira.

Vendo por este prisma mostrado no filme todas são um caminho para chegarmos até Deus basta estar em paz consigo mesmo.

Vemos o aspecto emocional de Pi após o naufrágio quando fica sozinho á deriva com a zebra, uma hiena, o orangotango e um tigre de bengala. E por mais estranho que possa parecer o tigre chama-se Richard Parker.

Infelizmente é nestes animais que Pi expõe seus sentimentos enraizados quanto a sua família perdida de maneira trágica e isto soa tão profundamente dentro de nós que me surpreendeu.

A parte mais interessante em As Aventuras foi que aqueles animais não estavam ali de verdade. Eles fazem parte da imaginação de Patel, mas a forma gradual em que Pi e Richard Parker tinham que conviver perdidos em alto mar foi memorável.

A interpretação de Suraj Sharma é tão magnífica, pois tudo que vemos na tela não existe. Então podemos notar o trabalho árduo que deu em contracenar mostrando coisas que não estavam lá.

As Aventuras de Pi não é apenas um filme emocionante, pois vai além recheado com cenas belíssimas parecendo quadros de arte ou simplesmente demonstrando poesia em movimento.

São imagens que para captar por palavras não conseguiria encontrar similar que fosse digno da grandiosidade exibida na tela.  Algo que toca no âmago de nossa alma marcando-a indefinidamente para sempre.

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